sábado, 31 de dezembro de 2005

Os Alentejos visitados











Uma visita detalhada a Arraiolos, a vila azul.

Entretanto o tempo turva-se, caem uns chuviscos, e Igrejinha... uma aldeia, não pode mostrar-se no seu brilho policromático.

A barragem do Divor já vai mostrando um nível de águas razoável...

Tinhamos no roteiro "turístico" uma referência ao Castelo do Mau Vizinho ou da Pontega, ali já a 4 km de Igrejinha. A caminho de Azaruja, para trás e para a frente, e castelo... nada! Nova consulta ao "GPS" e o dito fica dentro de uma herdade. Portão aberto, entramos meio desconfiados, fazemo-nos ao caminho de lama e de jipes. Adiante, e sem castelo no horizonte, o monte apinhado de gente e cavalos em ar de regresso de caçada grossa. Olho desconfiado em cima do Punto, ninguém se afasta que "isto aqui não é o da Joana", mas lá se consegue romper caminho... até uns 50 metros adiante. Porque do castelo, nem uma pedra! Tornamos à estrada, orelha murcha, mais ainda por só nos vermos rodeados de vedações de arame, como num campo de concentração. Alentejo privatizado em zonas de caça associativa?

A impressão é reforçada com outra baldada visita ao Solar da Sempre Noiva. Os mesmos arames, a mesma procura por caminhos do demo, e como resultado um belo palacete de portões fechados. Uma matilha de rafeiros alentejanos rosna por trás das grades e mostra uns caninos ameaçadores. Até a caseira, obediente às patronais ordens, quando perguntada se podemos assomar ao pátio para ver melhor as janelas manuelinas, responde com um áspero e definitivo NÃO! Irra, que já é azar...

Resta-nos rumar a Graça do Divor, onde um acolhedor madeiro fumega no largo...

Mas regressamos a casa com uma pergunta (im)pertinente: de quem é afinal o Alentejo e os seus monumentos?

De "VEMOS, OUVIMOS E LEMOS"
publicado por Guida Alves às 9:25 PM 8 opiniões
COMENTÁRIOS
Zecatelhado disse...
Belas fotos e...boa pergunta final.Amiga;Que 2006 seja "o tal" ano de venturas e desejos realizados que estavas à espera.Aquele @bração doZecatelhado
Dom Jan 01, 12:50:00 PM
AnaCristina disse...
É muito bom voltar do Alentejo e vê-lo percorrer sozinho estes blogues... A Igrejinha manteve-se gelada no Natal, mas recebeu todos os seus com o carinho e má-língua característica de terra pequena...Obrigada pela visita.
Dom Jan 01, 11:46:00 PM
zedtee disse...
Pois é, Margarida, qualquer dia será preciso tirar bilhete para se andar no Alentejo, que isto está cada vez mais igual ao antigamente...Um bom ano de 2006 para si e para os seus.
Seg Jan 02, 05:02:00 PM
Anónimo disse...
Concordo que seja difícil visitar muita coisa no Alentejo (e no resto do país, não será?), mas gostava que lhe entrassem porta adentro da sua casa, sem respeito nenhum pelo que é seu? Muitas casas apalaçadas e outros monumentos estão hoje fechados ao público porque são privados e os visitantes, quando a entrada era fácil, lá fizeram muitas "maltesarias"...Nunca mais me esqueço de um sítio arqueológico, no Alentejo, em terrenos privados, que foi vandalizado por um grupo de excursionistas (vândalos) nortenhos, que chegaram ao cúmulo de fazer de wc uma anta milenar, deixando tudo porco e cheio de lixo... Depois desta visão pagaram todos os outros, os turistas interessados e os "freaks", já que a zona foi vedada.Bom Ano
Seg Jan 02, 06:58:00 PM
oasis dossonhos disse...
um 2006 mais livre e com saúde de ferro para enfrentar a estupidez e os obstáculos aberrantes, como estes de que falas.A par das naturais dificuldades que todos temos de vencer...Beijo amigoL.
Ter Jan 03, 12:20:00 PM
Anónimo disse...
Bom dia
Ontem vi o blogue e tomei a liberdade de o reencaminhar a alguns amigos da zona, nomeadamente à presidente da Junta de freguesia de Arraiolos.As fotos estão um espectáculo. A da Graça do Divor, aldeia onde nasceram grande parte dos familiares do Manuel, vê-se a antiga escola primária (primeiro andar ao fundo) e do lado direito do madeiro, a primeira porta, a casa do tio Patanisca (assim chamado por toda a aldeia), homem forte e robusto, que cedo ficou sem pernas e preso a uma cadeira de rodas, fruto de um acidente, mas tal facto não o impediu de ser um lutador de causas justas, nomeadamente na distribuição da terra a quem a trabalha. A seguir, a casa do tio João (tio do Manuel), homem de um saber especial e de uma inteligência manhosa que só alguns alentejanos, por força da vida, a sabem ter. As casas foram vendidas a outras "gentes", a "stressados" urbanos...Em frente das casas que indico fica a Casa do Povo.Há 30 anos atrás todas as decisões da aldeia eram discutidas naquele largo. O Castelo de Arraiolos, tem uma vista particularmente bonita, diz-se que tem a forma arredonda porque foi construído em tempo de paz, na Idade Média, tendo como construtor/autor - João Simão arquitecto nomeado em 1306. A Rosa mora exactamente na franja do Castelo, do lado esquerdo da foto. São Gregório, Aldeia da Serra e Santana do Campo são aldeias particularmente bonitas. A Sempre Noiva, solar de muitas crenças e lendas, há muito foi "vendida"(?) diz-se, a um arquitecto de Lisboa, foi recuperado e deixou de poder ser visitado. As herdades circundantes, que outrora integravam projectos colectivos de sonhos e desenvolvimento comunitário também hoje são explorações privadas. Muito obrigada, pela lembrança de me divulgares este "blogue". Integraste a comitiva deste passeio? Um dia vem visitar Arraiolos, vem visitar-nos... Nós vivemos entre Arraiolos e as Ilhas é um sitio muito bonito, chamado Horta dos Mosqueiros.
Um forte abraço
Celeste Mesquita
Qui Jan 05 11:44:00 AM
Anónimo disse...
Olá, Guida
Como vês, o teu incansável trabalho de militância cultural e cívica vai dando os seus frutos.
Pensei que gostarias de conhecer a reacção que recebi já de uma das minhas duas amigas, e também colegas (trabalham na Delegação da DGTT de Évora), que entretanto moram em Arraiolos. Trata-se da chefe de secção Celeste Mesquita, cujo marido (Manuel Sofio Nobre) tem raízes familiares na Graça do Divor.
De caminho, a Celeste conta muitos factos ocorridos por aquelas paragens, cuja memória é importante retermos.
E talvez até a nossa Aldraba um dia possa fazer qualquer coisa naquela área, não achas?
Está à vontade para, se te interessar, comunicares tu própria com esta malta.
Grande beijo
Zé Alberto
Qui Jan 05 12:39:00 AM
Guida Alves disse...
A todos três um grande abraço.
À Celeste e à Rosa um muito obrigada pela divulgação do blogue e a promessa de uma visita em breve para mais aprender sobre tão belos lugares.
Qui Jan 05 04:28 PM

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Fraternidade em Santana de Cambas




O lançamento do livro "Memórias do Contrabando" constituiu um momento inolvidável, no contexto da fraternidade entre povos que as fronteiras de outrora nunca conseguiram impedir.
Muito importante foi a presença de uma delegação espanhola, nomeadamente do alcalde de El Granado, de Juan Rosa e outros protagonistas, que concederam depoimentos para a obra e na sessão realizada sábado passado partilharam as suas recordações sofridas mas também fraternas, porque era o tempo da Guerra Civil espanhola e Santana de Cambas foi abrigo de foragidos.
Rosa Dias, Sónia Frade, Miguel Rego, o jovem Félix Ramos Toscano, presidente del Foro por la Memoria de Huelva, José Rodrigues Simão, o presidente da Câmara Municipal de Mértola (acompanhado pelo presidente da Assembleia Municipal), o alcalde de el Granado e o autor do livro, além de Francisco Neto e do prof. dr. José Orta, fizeram intervenções, que sublinharam a importância do evento.
Durante 2 horas, seguiu-se uma sessão de autógrafos, o que indicia a dimensão da participação a este acto, prosseguindo o convívio iniciado na nova sede da junta de freguesia local num restaurante dos Corvos, onde se juntaram Eduardo Ramos (e a sua mulher Maria João Ramos, a artesã Janica) que nessa tarde, à mesma hora, actuara no Convento de S. Francisco, na festa dos 25 anos da Associação de Defesa do Património de Mértola. Estiveram presentes, as poetisas São Baleizão e Maria José Lascas, Ana Fonseca e Manuel Silva.
Uma saudação especial aos alpetrinienses Paulo Grilo e Paula Lucas, que apesar de terem ido nesse dia para a Sintra da Beira, não quiseram deixar de ir dar um abraço, assistir e conviver em Santana de Cambas.
Gostaria de dizer-vos que foi um dos grandes momentos da minha existência como ser humano e antropólogo.

(fotografias de Ana Fonseca)

De "ÁGUAS DO SUL"
Postado por oasis dossonhos às 12:17 6 comentários
COMENTÁRIOS
maria lascas disse...
Luís, obrigada por teres ido vasculhar as memórias de portugueses e espanhóis da raia, unidos na busca da sobrevivência das suas famílias através do contrabando (de café bacalhau açúcar...) erguendo-se como homens perante o regime fascista. E lembrar que o olhar da guarda fiscal, era muitas vezes predador, outras humano e condescendente. Obrigada por nos dares a conhecer e ajudares a preservar a nossa História. História ainda viva em alguns dos contrabandistas presentes, espanhóis e portugueses, irmãos e camaradas no sofrimento na valentia e na astúcia... Gostei em especial do Xico Neto com que falei... mas gostei de todos. Porque gosto da verdade, que a História se escreva e se faça justiça aos homens sem nome, porque embora sendo alentejana de Montemor, gostava que Mértola me aceitasse como sua filha natural, tal é o sentimento que me liga à vila e a todo o concelho!Só uma palavra de apreço pela exposição da Guika e outra, de agradecimento muito grande, ao Zé Rodrigues e à Dina pela simpatia e hospitalidade, e ainda pelas migas e à tia Angelina pelas filhós.
19 Dezembro, 2005 13:51
PAULA SILVA disse...
Tive a honra de testemunhar, no lançamento deste livro, a hospitalidade alentejana, o carinho de amigos, histórias de contrabando emotivas, de portugueses e espanhóis... Desfez-se o mito do contrabandista fora-da-lei, para se mostrar o seu humanismo, sacrifício, coragem... na luta pela falta de sentido das fronteiras... tão recentemente conquistada, mas já vaticinada por estas gentes da Raia.Rever amigos como a Ana, o Mané, a Maria José Lascas, a Rosa Dias, a São Baleizão, e claro, o Maçarico (entre outros) foi reconfortante para a alma, como o foi respirar a paisagem alentejana, recordando uma viagem por aquelas bandas, há mais de 8 anos, com o Luís, em Mértola e também ali, em Santana de Cambas, Minas de S. Domingos, Pomarão. O almoço na Vidigueira, com sopa de cação e tudo foi soberbo! O calor humano na sala da Junta de Freguesia foi inolvidável.Bem Hajas Luís por mais este momento partilhado!...quanto ao livro que já espreitei, o que dizer? apetece reler cada depoimento, porque são tesouros.
19 Dezembro, 2005 15:44
Sonia F. disse...
Luis, foi uma honra (como já te disse pessoalmente) ter sido convidada para apresentar esta obra tão importante e tão humanista! Tive muita pena de não ter ficado mais tempo. Foi de facto muito sentido tudo o que se ouviu e se viu. Muitos muitos parabéns e muito obrigado por este momento magnífico.
19 Dezembro, 2005 16:11
Guida Alves disse...
Fico feliz por saber que tudo correu pelo melhor, que foi um convívio caloroso, a amizade derramada e repartida. Pena não ter podido ir... Uma próxima vez será!
20 Dezembro, 2005 00:02
Manuel Antunes disse...
Caro Luís Maçarico, Conforme já manifestei no seu blog "Era Uma Vida Triste!..." gostaria de poder usar o testemunho ali reproduzido num trabalho que estou a preparar para a net. Trata-se de um projecto sem fins lucrativos (um hobby praticado por pessoas que gostam de se "perder" no meio da natureza) e que, se fôr bem sucedido, poderá levar algumas dessas pessoas a percorrer os caminhos trihados outrora; sentir o elan dos locais, apreciar as paisagens, passar a fronteira a pé e regressar, procurar os Calvários, sentir o seu significado, etc... Por isso, peço-lhe que me indique um endereço de e-mail para eu lhe enviar o pedido juntamente com os detalhes do trabalho que estou a pensar fazer.
Cumprimentos,Manuel Antunesmantunes@netc.pt (o mail correcto é este)
20 Dezembro, 2005 22:39
augustoM disse...
A raia, e a história o tem provado, não tem nacionalidade, mas somente uma bandeira, a da fraternidade.Um Feliz Natal e a concretização de todos os sonhos em 2006, são os meus votos.Um abraço. Augusto21 Dezembro, 2005 18:28

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Adeodato Barreto: Sessão evocativa na Universidade de Coimbra




Olavo Rasquinho, Sónia Frade, Dina Mira, eu próprio, os presidentes da Junta e da Câmara Municipal de Aljustrel, e muita gente de Goa, Coimbra e Aljustrel, participaram na homenagem nacional, realizada ontem, a Adeodato Barreto no Arquivo da Universidade de Coimbra.
Fomos dar mais um abraço fraterno a Kalidás Barreto e sua família, participando na evocação, que além das intervenções realizadas, apresenta um aliciante incontornável: a exposição e o magnífico catálogo.
(fotografias de Francisco Colaço)
De "'AGUAS DO SUL"
Postado por oasis dossonhos às 16:22 2 comentários
COMENTÁRIOS
stillforty disse...
LuisDeixei um postal para ti na outra face do espelho, umas lembranças virtuais, das que não temos de gastar dinheiro, só o coração.Beijos, amigoGostas da hedy Lamarr?
16 Dezembro, 2005 02:24
oasis dossonhos disse...
Obrigado. Gosto de tudo o que é partilhado com carinho.
16 Dezembro, 2005 15:5

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Jantar evocativo de Adeodato Barreto










Constituído no próprio dia da fundação da "Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular", o Grupo de Trabalho Adeodato Barreto, tem vindo a reunir com regularidade. Em Julho apresentou uma proposta à Comissão de Toponímia de Lisboa, para que uma rua da cidade seja baptizada com o nome de Adeodato Barreto.
Ontem, na presença dos presidentes da Assembleia Municipal de Aljustrel, professor Luís Bartolomeu e da Junta de Freguesia de Aljustrel, engº Francisco Colaço (foto nº 4), Odete Silva (foto nº 7), filha de Edmundo Silva, discípulo de Adeodato e de Kalidás Barreto ( foto nº6), filho do homenageado, o Grupo de Trabalho Adeodato Barreto dinamizou um Jantar Evocativo do centenário do nascimento daquele vulto da cultura luso-indiana.
O acto, ao qual se associaram diversos membros dos corpos sociais da Aldraba, decorreu na Casa do Alentejo, tendo sido complementado com uma pequena tertúlia, com testemunhos sobre o Mestre e poesia de sua autoria.
A Associação participará em Abril de 2006, com uma exposição, nas comemorações previstas para Aljustrel.
Nesse evento, espera-se uma boa adesão de associados e amigos, que desejem partilhar na vila mineira do Baixo Alentejo sabedorias e sabores.
(fotografias de Sónia Frade-1, 8 e 9- e de LFM-2 a 7)

De “ÁGUAS DO SUL”
Postado por oasis dossonhos às 16:59 2 comentários

COMENTÁRIOS
a gata de veludo disse...
E a gata traz aqui mais um miado s/o Adeodato em Coimbra:
no SuperGoa:
Renhaunhaus para ti.
06 Dezembro, 2005 22:03
Mendes Ferreira disse...
BEIJOS.
07 Dezembro, 2005 15:37

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Pré-Apresentação em Alpedrinha da obra "Memórias do Contrabando em Santana de Cambas - Um Contributo Para o Seu Estudo"




Realizou-se no passado dia 26 de Novembro, numa iniciativa conjunta da Liga dos Amigos de Alpedrinha, da Junta de freguesia de Alpedrinha e da Fábrica da Igreja local, o VII Encontro de Poetas de Alpedrinha, no Salão Paroquial.
A primeira parte deste evento foi preenchida com a pré-apresentação do livro “Memórias do Contrabando em Santana de Cambas - Um Contributo para o Seu Estudo”, da autoria de Luís Filipe Maçarico. A edição é da Junta de Freguesia de Santana de Cambas, cujo presidente José Rodrigues Simão esteve presente. A obra foi apresentada por José Alberto Franco e pelo autor, com a participação de Rosa Dias, que disse um poema seu, escrito expressamente para este livro.
Francisco Miguel Barata Roxo, presidente da autarquia local, deu as boas vindas a todos, realçando a qualidade que estes encontros culturais têm apresentado e destacou a qualidade do livro que iria ser divulgado.
José Alberto Franco elogiou as vistas largas do autarca do concelho de Mértola, por se ter abalançado num projecto que é raro as Câmaras desenvolverem, quanto mais as Juntas, e reforçou a ideia destas iniciativas fazerem falta para nos conhecermos melhor.
José Rodrigues Simão, autarca de Santana de Cambas, agradeceu a hospitalidade beirã e sublinhou a necessidade de serem recolhidos depoimentos dos indivíduos da zona da raia, ainda vivos, que tiveram de fazer contrabando para sobreviver. Referiu ainda que a Junta de Freguesia a que preside concretizou dois objectivos de um projecto, que envolve a criação de um Museu do Contrabando, nomeadamente, um concurso de pintura sobre o contrabando e a edição do livro, cujo lançamento vai ocorrer no próximo dia 17 de Dezembro, pelas 15h30m no novo edifício da Junta de Freguesia de Santana de Cambas. Para esta iniciativa está já convidado o presidente da Junta de Freguesia de Alpedrinha.
Luís Maçarico iniciou a sua intervenção declarando que “Há muito desejava partilhar com Alpedrinha este olhar que procura saber mais acerca de quem somos, das raízes, dos comportamentos, dos costumes, das tradições.”No remate da sua alocução, o antropólogo sublinhou, a propósito do presente trabalho: “Tantas vidas, tanto sofrimento. E tudo para ter direito a respirar, sonhar, existir, sobreviver. Para alimentar e criar filhos, famílias, salvaguardando o património maior que são as pessoas, teimando em manter a identidade da fala e as artes da vida.”
A sessão teve ainda intervenções musicais, a cargo do professor Carlos Ventura e do jovem músico Walter, de Monsaraz. O evento terminou com a actuação dos poetas convidados para este sétimo encontro: Padre Manuel Igreja, Alice Peixeiro, Francisco Amaro, Luís Maçarico e Rosa Dias.
Durante a parte poética, L.M. leu dois poemas do luso-goês Adeodato Barreto, cujo centenário do nascimento ocorre no próximo dia 3 de Dezembro. Foi também lida uma mensagem e dois poemas de Paula Lucas, poetisa alpetriniense, impedida de participar, por motivos de saúde.
Estes encontros têm já um interessante historial, pois realizaram-se 7 estimulantes convívios, 2 dos quais internacionais.Participaram ao longo deste 9 anos, 24 poetas, sendo 8 deles das Beiras, 6 do Alentejo, 5 de Espanha e 5 de Lisboa, além de 2 declamadoras da capital e uma da Beira Alta.
(fotografias de Mónia Roxo)

De “ÁGUAS DO SUL”
Postado por oasis dossonhos às 13:11 8 comentários

COMENTÁRIOS
pedra disse...
Parabéns, Luis Maçarico, por este blog. Há muito que aprecio os seus trabalhos que tem tido a gentileza de mos mandar e eu, ingrato ou sem tempo, não lhe tenho agradecido.Agora, mais liberto, passo a vir aqui e já registei o seu blog nos meus favoritos.Um abraço.
28 Novembro, 2005 15:45
Mané disse...
Fico muito feliz de saber que tudo correu bem, esperando que possa ir no dia 17 de Dez.O teu relato é sempre muito esclarecedor e que faz com que as pessoas que não puderam ir consigam ter uma ideia do que lá se passou. Brigado.
28 Novembro, 2005 15:54
Guida Alves disse...
Grande, grande Luis! Beijos e abraços.
28 Novembro, 2005 17:17
zoltrix disse...
Parabéns pela iniciativa e pelo seu sucesso.Um abraço!
28 Novembro, 2005 21:29
oasis dossonhos disse...
A minha gratidão pelas vossas visitas. Vou estar atento às respirações de "Pedra" (não consigo escrever nos comments do seu blog) e "Zoltrix". Muito obrigado também à fraternidade de Mané e Guida.Um abraço a todosLFM
29 Novembro, 2005 13:19
António Caeiro disse...
As minhas visitas aqui por estas bandas já começam a ser diárias, e aproveito para deixar um abraço.
29 Novembro, 2005 14:09
Sonia F. disse...
Vejo que foi mais um momento muito bonito na tua vida, Luís. Espero que muitos mais se repitam e estou feliz por poder participar no próximo que já se avizinha.
29 Novembro, 2005 18:49
marialascas disse...
LuisFico feliz por mais uma vez a poesia ter aquecido o granito de Alpedrinha. Com estas fotos, viajei para o passado e ainda consegui estar entre vós. Pelo rosto das pessoas sei que tudo correu muito bem.Parabéns, tu mereces.maria josé lascas fernandes
05 Dezembro, 2005 12:53

sábado, 19 de novembro de 2005

Associados da Aldraba reúnem com autarcas de Aljustrel para preparar centenário do nascimento de Adeodato Barreto






Durante a manhã de sábado 19 de Novembro, além da visita ao Museu de Aljustrel, dirigentes da Aldraba-Associação do Espaço e Património Popular, acompanhados por membros do Grupo de Trabalho Adeodato Barreto, reuniram com o presidente da Junta de Freguesia de Aljustrel.

Foram apresentadas várias perguntas e sugestões, com o objectivo de se concretizar uma evocação do goês de Margão, nascido há cem anos, no dia 3 de Dezembro, que exerceu o notariado na vila mineira no início da década de 30 do século passado, cativando a população operária da mina e a juventude, pelo seu altruísmo, nomeadamente na alfabetização dos homens toupeiras, na difusão do esperanto entre os mais novos, na edição de um jornal -"Círculo"- na participação associativa e na ajuda aos pobres, criando uma sopa para os desvalidos, em tempo de fome.

Poeta, pedagogo, por ter ideias avançadas para o seu tempo, foi perseguido, porque tudo o que era diferente do estabelecido era considerado comunista.Em 8 anos, na década de 20, Adeodato completou 3 cursos superiores na Universidade de Coimbra. Correspondendo-se com Tagore e Romain Rolland, Adeodato funda com o aplauso destes, um Instituto de Cultura Indiana e preside ao Grémio Republicano, proferindo conferências.
A sua obra póstuma encontra-se reunida no volume "O Livro da Vida". Corroborando a antropóloga Sónia Frade, em tão pouco tempo fez tanto!

Kalidás Barreto, ex-sindicalista e deputado da Constituinte, é filho deste homem e a Aldraba vai em breve promover um jantar em local a indicar, para evocar a personalidade fascinante que é Adeodato Barreto, modelo de tolerância e humanismo, de encontro feliz com o Outro, estabeleceu, pela inteligência e sensibilidade, uma ponte cultural entre Oriente e Ocidente, que nestes dias de incomunicabilidade vale a pena conhecer melhor.

A Aldraba quer dar o seu contributo no sentido de difundir por mais pessoas a memória deste luso-goês exemplar...

Com autarcas, professores e descendentes dos discípulos de Adeodato.

De referir que este grupo visitou ainda Ervidel integrando-se nas festividades da VIN&CULTURA, desfrutando de vários momentos de cante, petiscos e provas do néctar dos deuses, no belo ritual pagão de celebrar Baco, entre amigos, no aconchego das adegas e das conversas.

(fotos de Luís Maçarico e Luís Ferreira)

De “ÁGUAS DO SUL”
Postado por oasis dossonhos às 22:02 9 comentários

COMENTÁRIOS
Mané disse...
Homens raros, mas que existiram. Prova daqueles que também foram ensinados e que fizeram questão de o dizer, transmitindo a sua sabedoria, esforço, dedicação e empenho, que num contexto difícil social, não renunciou da luta por convicções e capacidades insólitas.Mais uma vez a ALDRABA promove valores lindíssimos que eu próprio me orgulho de poder participar. Agradeço aos órgãos do cume da pirâmide (se assim posso dizer?) de todo esse empenho que trás aos nossos tempos uma beleza diferente e inédita.
21 Novembro, 2005 16:48
huguito disse...
Estás em todas És o maior...Vai a
http://morcegosdoasfalto.blogspot.com/ e vê as nossas noites malucas.Um abraço aqui da malta..
21 Novembro, 2005 17:12
O Restaurador disse...
Novo blog alentejano! Por favor visite
Saudações Alentejanas
22 Novembro, 2005 11:15
Mendes Ferreira disse...
Eu sei Luis, eu sei que TU sim és um Amigo. Meu amigo. de sempre. de outros tempos. de outras "casas" de outras causas...estamos sempre a aprender. mesmo que por vias mais tortuosas e tristes...mas a vida continua. para lá da Net. e tu tb. e eu tb. enquanto estivermos vivos. Bjos. Estes sinceros.
22 Novembro, 2005 15:16
augustoM disse...
E depois o melhor da festa no aconchego das adegas, junto ao altar de Baco, provando é modéstia, o néctar dos deuses e os petiscos dos mortais. A conversa, essa vais avançando à medida que o nectar escorre.Um abraço. Augusto
23 Novembro, 2005 17:44
Anónimo disse...
O que são "responsáveis" da Aldraba? Os sócios da Aldraba que não são dirigentes são "irresponsáveis"? Isto, desculpem-me a franqueza, é mais linguagem de centralismo democrático (que, pelo que li, não consta dos estatutos) do que um falar de uma associação cultural. E não terem falado em "controleiros" foi mera sorte do acaso semântico? O Sócio Nº 84.
28 Novembro, 2005 14:40
oasis dossonhos disse...
Sr.anónimo/nº 84:Bem haja pelo zelo, relativamente à palavra dirigente. Acredite que nunca me passou pela cabeça, precipitar para um antro de víboras uma centena de pessoas, acorrentadas aos desvarios de um grande educador. Nas informações prestadas aos associados (gosto mais desta palavra, se me permite a franqueza, sócios são das sociedades por quotas, malta com dinheiro, negociantes, o que não é o meu caso que sou pelintra e vagabundo) nas informações, dizia, temos tentado manter os associados a par da realização das iniciativas, decorrentes de um plano prévio de actuação, proposto aos associados em Assembleia-Geral fundadora e por todos sancionado.É pena que numa palavra, pelos vistos traumatizante para uns, mas tão normal para outros, se concentre e se esvazie o conteúdo de um desempenho.A palavra foi emendada. Espero que o resto não lhe mereça dúvidas...Ah! Como fui o autor do texto, excepcionalmente publicado em simultâneo aqui e na "Aldraba" também lhe respondi, sem fazer copy paste, lá no blogue da aldraba.CumprimentosL.
28 Novembro, 2005 18:11
Anónimo disse...
Também eu lhe respondi, no meu preceito e maneiras de transmontano, lá no blogue do Aldraba. Registo a diferença de tom e conteúdo que utilizou entre aqui e lá. Quanto á Aldraba, pela sua fala autoritária como Presidente, género Caudilho, nada mais tenho a ver com ela (a nobre Associação). Aqui, no seu blogue pessoal, e porque aqui usou outra forma de falar, confirmo que a estima pessoal se mantém como sempre foi - de simpatia e camaradagem. O melhor para si e para os seus projectos. Saudações. João Tunes (e ex-associado nº 84 da Aldraba)
29 Novembro, 2005 00:47
Anónimo disse...
PS - Mas reconheça que mentiu quando disse que me insurgi com o termo "dirigente" (contra o qual nada teria a opor). Reagi, sim, ao uso do termo "responsáveis" para designar os dirigentes da Aldraba. Esse, sim ("responsável"), é um termo conotado e datado, vanguardista, na mesma linha programática de falsificar a minha crítica para a poder desmerecer. João Tunes
29 Novembro, 2005 00:58

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

"Aldraba"- Os primeiros seis meses de um projecto partilhado em torno do espaço e do património popular




Tendo nascido em 25 de Abril deste ano, no Ateneu Comercial de Lisboa, com a adesão de oitenta cidadãos, a Aldraba é um espaço de convívio e reflexão que tem como objectivo maior a salvaguarda de tudo o que concerne ao espaço e ao património popular, a um artefacto ou à memória do saber fazer.
Nesse sentido, em Junho, estivemos no catálogo do stand do Instituto de Formação Profissional, na FIL Artesanato, com um belíssimo artigo sobre cataventos, da autoria do meteorologista e vice-presidente da direcção, Dr. José Manuel Prista.
No início de Julho, sob o sol tórrido do Alentejo, cinquenta associados e amigos visitaram e interagiram com a realidade sócio-territorial de duas aldeias do Alqueva: aldeia da Luz e aldeia da Estrela.
Confraternizámos com a população da Estrela, que aproveitou a nossa abordagem para apresentar algumas opiniões acerca desta realidade.
No final desse mês, o presidente da Mesa da Assembleia-Geral representou-nos no júri do concurso de pintura sobre o contrabando, em Santana de Cambas, concretizando uma parceria com a autarquia local.
No começo do Outono, apresentámos em Alvaiázere, durante o III Festival do Chícharo, a exposição “Objectos do Quotidiano que Passam Despercebidos”, na sequência de uma primeira exibição em Abril, no Museu República e Resistência - Espaço Grandella, intitulada “Do Espaço à Vivência - Olhar sobre o Património Invisível”, em que eram abordados aldrabas, batentes e cataventos, em suporte fotográfico e multimédia.
No mesmo espaço esteve ainda patente outra exposição, em Outubro, “Momentos de Rua nos Pátios de Lisboa”, através da qual se homenageou Jorge Rua de Carvalho, um lisboeta, homem do fado operário, marceneiro reformado, poeta, associativista, actor amador, fundador da Aldraba, cujos bonecos (mais de 200) expostos evocam as brincadeiras de infância dos anos 20/30 e os pregões da cidade.
A par desta actividade visível, foram já alguns passos na criação de um site na Internet e desde Fevereiro é mantido um blog, que ao longo de uma centena de artigos, obteve, 51% de opiniões de não associados.
Dois grupos de trabalho foram entretanto criados, um para produzir um documentário sobre Jorge Rua de Carvalho e a sua obra e outro, com o estímulo de uma parceria com a Junta de Freguesia de Aljustrel, para homenagear o pedagogo e poeta Adeodato Barreto, cujo centenário do nascimento ocorre no dia 3 de Dezembro.
Este símbolo e expoente da cultura indo-portuguesa, fundou jornais, difundiu o esperanto, auxiliou os desfavorecidos, alfabetizou mineiros e contestou a prepotência, defendendo a conduta ética em política e a justiça social, num tempo em que exercer cidadania tinha conotações subversivas.
Temos trabalhado em colaboração com Kalidás Barreto, filho de Adeodato, e pensamos poder realizar, na primeira metade do próximo ano, uma iniciativa de interacção com a comunidade aljustrelense.
Em seis meses de existência, desenvolvemos um trabalho de sensibilização para um leque diversificado de valores e regiões, do qual nos orgulhamos, prosseguindo agora com este colóquio, que acrescenta a reflexão de cientistas sociais com possibilidade de influenciar alguns centros decisórios, cuja presença agradeço em nome da organização.
Antes de dar a palavra ao painel de convidados, gostaria de deixar um desafio aos anfitriões que nos acolhem neste simpático e emblemático local da cidade - os banhos de São Paulo.
A elegância do design e a simbologia da mão talismânica, difundida ao longo de séculos nas práticas mágico - religiosas dos povos da bacia mediterrânica, presente numa parte substancial de batentes e aldrabas, será que não merece a protecção pelo menos nos centros históricos?
Cabe-vos passar a mensagem aos autarcas e aos estudantes de artes, para redescobrirem nas práticas quotidianas o valor patrimonial destes elementos, concedendo-lhes um novo desempenho na nossa vivência identitária.
(Palavras proferidas pelo presidente da direcção da Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular, na abertura do IV Encontro/Colóquio da Aldraba, subordinado à temática das "Aldeias da Água do Alqueva", na Ordem dos Arquitectos, em Lisboa, pelas 18h 45m do dia 17 Novembro de 2005) (fotos de Vanda Oliveira)

De “ÁGUAS DO SUL”
Postado por oasis dossonhos às 01:03 2 comentários

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António Caeiro disse...
A vossa visita às chamadas aldeias do Alqueva, neste caso às aldeias da Luz e Estrela, deve ter sido concerteza muito interessante. Conheço a Estrela, uma vez que os meus pais nasceram na Póvoa de S. Miguel, bem perto.1 abraço e por cá vou aparecer mais vezes.
18 Novembro, 2005 21:46
TMara disse...
pelo aqui se lê um projecto mtº interessante. Bom f.s Bjs e;)
18 Novembro, 2005 23:58

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Colóquio As Aldeias da Água do Alqueva


Organizado pela Aldraba, realiza-se amanhã dia 17 de Novembro, na Sede da Ordem dos Arquitectos, Travª do Carvalho, 21 (entre a Prç da Ribeira e o Lgº de S. Paulo) o colóquio "As Aldeias da Água do Alqueva"

Depois de se ter visitado as aldeias da Estrela e da Luz, duas das 18 "Aldeias da Água", e de nos termos passeado sobre o cálido plano de água da albufeira, há que encontrar um espaço de reflexão para se debaterem algumas das questões que foram percepcionadas in loco.

O colóquio terá a participação dos oradores, a nível individual: Maria João Georges - Arquitecta, EDIA e responsável pela mudança da antiga para a nova Aldeia da Luz, Moisés Espírito Santo - Sociólogo e catedrático da Univ. Nova de Lisboa, Isabel Guerra - Bióloga e Auditora do Ambiente do Min. Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Raul Caixinha - Sociólogo, INAG e membro da Comissão de Acompanhamento do Alqueva.A sessão será moderada pelo Vice-presidente da Direcção da Aldraba- Associação do Espaço e Património Popular, o geógrafo Fernando Chagas Duarte, seguindo-se o debate com todos os presentes.

De “ÁGUAS DO SUL”
Postado por oasis dossonhos às 13:31 2 comentários

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stillforty disse...
Tenho um comício, amanhã. Não posso ir.Beijos
16 Novembro, 2005 19:52
augustoM disse...
Sempre o eterno problema do horário.Um abraço. Augusto
17 Novembro, 2005 14:00

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Alvaiázere, um Festival no começo do Outono








De “VEMOS, OUVIMOS E LEMOS”
publicado por Guida Alves às 1:04 AM 1 opiniões

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oasis dossonhos disse...
o olhar da guida no seu melhorL.
Seg Nov 07, 11:15:00 PM





domingo, 6 de novembro de 2005

Jorge Rua de Carvalho - Um documentário e último dia de exposição na Estrada de Benfica 419







Há um ano atrás, após a reunião de quase duas dezenas de semeadores, na Casa do Alentejo, começou a ganhar corpo a ideia de uma nova associação.

Entre 24 de Outubro e 7 de Novembro de 2004, os telefonemas sucederam-se...

E no dia 21 juntaram-se vinte pessoas para começarem a concretizar a Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular, fundada cinco meses depois, a 25 de Abril do presente ano.

As iniciativas sucedem-se num ritmo crescente de entusiasmo e sucesso.

Actualmente, a Aldraba tem (ainda por mais 2 dias) no espaço Grandella do Museu República e Resistência a exposição "Momentos de Rua nos Pátios de Lisboa".

Segunda-feira até à hora do almoço poderão ainda disfrutá-la, na Estrada de Benfica, 419.

O autor dos 201 bonecos expostos, que representam as brincadeiras da sua infância e os pregões da cidade, tem 86 anos e está a ser alvo de uma recolha documental para vídeo, através de filmagens, que duram já há alguns meses, a cargo de Fernando Duarte e Fernando Amaral.

Jorge Rua de Carvalho associou-se à Aldraba no dia da fundação, durante a Assembleia Geral realizada no Ateneu Comercial de Lisboa.

(fotografias de LFM)

De “ÁGUAS DO SUL”
Postado por oasis dossonhos às 02:30 1 comentários

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Anónimo disse...
Caro Luís,Poesia é Arte! Gostei de passar por aqui...Força para continuar!Abraços,VDinis
08 Novembro, 2005 23:23

sábado, 29 de outubro de 2005

Feira das Mercês









De secular tradição, sempre me lembro de lá ir em pequena, já com tempo de chuva, desconforto amplamente compensado pelas castanhas assadas, a volta no carrocel e as quinquilharias de barro para brincar "às casinhas".
Muitos anos depois visito-a de novo, imaginando as grandes mudanças que uma outra forma de viver, entretanto adoptada, teriam igualmente chegado aqui.
De facto, muito néon, muito inox, muito plástico, alteraram uma fisionomia pacata, sem grandes pretensões, de uma feira tipicamente saloia, onde se vendia um pouco de tudo o que era necessário ao pequeno mundo rural das terras ao redor: desde as enxadas, sachos, sacholas, batata para a semeadura, cebolinho, alface e couve para dispor nas hortas, de tudo se podia encontrar. Desde a roupa de trabalho, botas cardadas ou grosseiras socas, até à farpela endomingada de ir à missa e namoriscar as moçoilas no adro da igreja.
No entanto, dia de semana não é dia que renda a um feirante. Muitas são as bancas vazias, espaço guardado para o próximo fim de semana, que o negócio está difícil e se não se vende aqui pode ser que se venda acolá. Animar-se-ão à noite os tascos, perdão, os restaurantes, que a "carne de porco à moda das Mercês" não é petisco de enjeitar, mesmo em tempo de vacas magras ou gripe das aves.
E entre os barros e cobre reluzentes, cor do Outono que vai avançando, há quem aproveite para lavar a roupa da semana ou passar o tempo diante da telenovela favorita, um olho no televisor e outro no potencial freguês.
Não falta a confortável moda dos edredons, essa lá está também, cores berrantes a atrair o olhar, preços convidativos para bolsa de fim de mês.
De qualquer modo, uma água-(de)pé recém saída do pipo, ajuda a esquecer tristezas e a descer a velha Estrada do Muro do Derrete com um ânimo mais arribado e passo mais incerto...
E para o ano, como será?

De “VEMOS, OUVIMOS E LEMOS”
publicado por Guida Alves às 12:39 AM 2 opiniões

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Anónimo disse...
Em 2008, não há Feira das Mercês, acabou.
Seg Out 06, 02:22:00 AM
Anónimo disse...
Feira das Mercês realiza-se com segurança "musculada" Feira realiza-se de 25 de Outubro a 2 de Novembro, contra todas as indicações anteriores dadas pela Câmara de Sintra. Executivo impõe condições de segurança "musculadas" no recinto, arredores e Linha de Sintra e vai realizar inspecções individuais aos estabelecimentos durante a feira. "É importante respeitar as tradições", mas "vamos ser exigentes, no início e ao longo da feira", garante o vereador da Câmara de Sintra João Lacerda Tavares, responsável pela Divisão de Licenciamentos. (Sábado, 18 de Outubro de 2008)
Qua Out 22, 10:35:00 PM